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Pelo MUNDO...
 


Texto muito bom sobre um tema que precisa ser cuidado com muita atenção pelo governo brasileiro. E urgentemente!!!

 

ELIO GASPARI

O Brasil precisa começar a deportar


Peter Collecott, o embaixador de Sua Majestade britânica, precisa se acautelar. Duzentos anos depois de sua primeira visita ao Brasil, Lord Strangford está armando encrencas com Pindorama. Só pode ser dele a idéia de criar juntas de triagem para os nativos que desejam visitar o Reino Unido. Do jeito que as coisas estão, de cada cem brasileiros que compram passagem e descem no aeroporto de Londres, três são deportados. Em 2006 foram 4.985, conforme revelou o repórter Rafael Cariello.
Lord Strangford foi um craque. Arrancou de d. João 6º um tratado que, entre outras coisas, deu aos ingleses residentes na terra o privilégio de serem julgados por tribunais formados por compatriotas. Agora ele quer criar juntas inglesas para julgar brasileiros em aeroportos brasileiros. Deve ser mágoa das chicotadas que levou de um estribeiro de d. Carlota Joaquina.

Os acordos firmados pelos governos das duas nações dizem que os brasileiros não precisam de visto para entrar na Grã Bretanha, nem os ingleses para vir para cá. Como há milhares de nativos interessados em entrar na Inglaterra, ou em outros países da Europa, em busca de trabalho e sem a devida documentação, os governos se protegem. A polícia dos aeroportos faz a triagem no olho e pede provas de que o viajante não está mal intencionado. Essas exigências variam de país para país e vão da passagem de volta ao comprovante da reserva de hotel, passando por dinheiro no bolso e até demonstração do propósito da viagem. As sentenças dos guardas são quase sempre irrecorríveis e, às vezes, néscias.

É direito dos ingleses, espanhóis e europeus em geral recusar o ingresso de estrangeiros. Quanto a isso, nada há a fazer. Nada mesmo? Talvez haja. Basta criar um sistema de reciprocidade. Quando um avião da British Airways descer em Guarulhos, pede-se aos passageiros que mostrem reserva de hotel, passagem de volta e uma quantia em dinheiro vivo. Não tem? Volta, mesmo que seja um físico a caminho da Argentina para uma palestra. Pode-se fazer o mesmo com o vôo seguinte, da Iberia. Por cortesia, os deportados ficariam sempre num patamar equivalente à metade dos brasileiros punidos.

Se esse remédio parecer radical, o Itamaraty pode informar aos embaixadores Collecott e Peidró Conde, da Espanha, que a reciprocidade só será aplicada em 2009. Até lá, ingleses e espanhóis que não estiverem com a papelada em ordem serão convidados a assinar a seguinte declaração: "Cheguei a este aeroporto sem os documentos necessários para atender as exigências que o governo do meu país impõe aos brasileiros. Em nome das boas relações entre os dois povos, solicito, pela presente, que seja dispensado desse procedimento." Assinou, fica. Não assinou, volta.

Lord Strangford ameaça restabelecer a necessidade do visto. Se esse for o único caminho, nada a fazer, pois é preferível ser obrigado a solicitar o carimbo dos ingleses (exigindo a mesma coisa deles) do que ser tratado como vagabundo, ou vagabunda, por polícia de aeroporto. Em tempo: por mais que os europeus azucrinem os brasileiros, nada os aproxima da inépcia dos serviços consulares americanos. Eles exigem que os nativos peçam visto e avisam que a demora para marcar uma entrevista está em 109 dias no Rio de Janeiro. A espera em Pequim é de 15 dias, e em Buenos Aires, de dois.



Escrito por Alisson Dias Gomes às 16h56
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DOIS NOVOS LIVROS

 

Eu sou o mensageiro

 

Ed Kennedy, 19 anos, taxista. Filho de um pai morto pela birita e de uma mãe amarga, ranzinza e mal educada. Sua companhia constante: um cachorro fedorento e um punhado de amigos fracassados (Ritchie, Mark e Audrey). Tinha tudo para ser um perdedor. Sua missão: algo de muito importante, com o potencial de mudar algumas vidas. Por quê? Determinado por quem? Isso nem ele sabe.

 

Neste incomum romance de suspense, Markus Zusak, autor do best-seller A Menina que Roubava Livros (próximo a ser comentado aqui), nos fornece essas respostas bem aos poucos, ao longo de suas ¡¡¡¡¡ páginas, até o último instante. O que se sabe é que Ed, um dia, teve a coragem de impedir um assalto a banco. E que, um pouco depois disso, começou a receber cartas anônimas. O conteúdo: invariavelmente, uma carta de baralho, um ou mais endereços e... só. Fazer o que nesses lugares? Procurar quem? Isso ele só saberá se for. Se tentar descobrir. E, com o misto de destemor e resignação dos mais clássicos anti-heróis, daqueles que sabem não ter mesmo nada a perder nesse mundo, é o que ele faz. Ed conhecerá novas pessoas nessa jornada. Conhecerá melhor algumas pessoas nem tão novas assim. Mas, acima de tudo, a sua missão é de AUTOCONHECIMENTO. Ao final dela, ele entenderá melhor seu potencial no mundo e em que consiste ser um mensageiro.

 

FICHA TÉCNICA

Título: Eu sou o mensageiro

Autor: Markus Suzak

Editora: Intrínseca  

Ano: 2007
Número de páginas: 320

 

* O livro acima nos foi dado pelo competente jornalista e grande amigo Ubiracy Sabóia. Muito obrigado!

 

Tannöd, el lugar del crimen 

 

Ainda hoje, o afastado casarão dos Danner en Tannöd (Alemanha) é conhecido como o casarão da morte. Na região da Bavária, em tempos densos dos anos 50, após a segunda guerra mundial, se produziu um cruel assassinato a golpes de machado de uma família que vivia numa finca do campo solitária. Gente estranha e anti-social, mas que ainda assim provocou comoção e medo nos moradores da região. Os corpos sem vida dos Danner, pais, filha e netos (uma menina e um menino), assim como da empregada que neste dia por primeira vez tem acesso à casa principal foram encontrados por campesinos, que estranharam a ausência deles em hábitos da comunidade, como celebrações religiosas e passeios no parque. Quem da comunidade poderia ser capaz de tamanha brutalidade?

 

Tannöd é um excelente romance de suspense e também o nítido retrato de uma sociedade que vive com seus próprios demônios históricos, sociais e religiosos. No decorrer da leitura, nos aproximamos dos detalhes da família assassinada, através dos relatos dos vizinhos, estimulados pelas perguntas da narradora, a oferecer suas opiniões (e, por conseguinte, seus julgamentos) sobre os Danner, uma família que oculta segredos silenciados durante muito tempo.  

 

FICHA TÉCNICA
Título: Tannöd, el lugar del crimen

Autora: Andrea Maria Schenkel

Editora: Destino

Ano: 2008

165 Páginas



Escrito por Alisson Dias Gomes às 08h36
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