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Pelo MUNDO...
 


 

UM OLHAR FEMININO SOBRE A VIDA E SOBRE O MUNDO

 

PALAVRA DE HONRA: PALAVRA DE GRAÇA

 

Este é um livro feminino e sem pudor.

 

O leitor, a leitora, vão entrar em contato com textos escritos por mãos experientes, que conhecem o ofício de escrever e que transmitem o olhar sensível e a experiência de uma mulher sobre o estar no mundo. E o faz sem medo de desnudar os seus sentimentos e o orgulho de ser mulher, título, por sinal, de um dos belos textos que compõem este volume.

 

Existem, sim, formas diferentes de se relacionar com o mundo através da escrita e o texto masculino, por mais sensível e sentimental que possa eventualmente ser, é diferente da forma com que a mulher expõe suas emoções, um modo de ver através da experiência subjetiva muitas vezes levada até à revelação dos profundos desvãos da alma. A escrita do homem é, na maioria das vezes, tendente à objetividade e, por isso, carente de uma forma em que sujeito e objeto se fundem numa única verdade, que caracteriza de modo mais freqüente os textos femininos.

 

A crônica é um gênero cujo valor literário foi discutido durante muito tempo e a opinião de parte da crítica era no sentido de que se tratava de jornalismo, e não de literatura, porque sua motivação era a vida diária, comentários sobre costumes e o dia-a-dia das pessoas em determinado momento. O aparecimento de grandes autores que a adotaram como forma de expressão mudou essa opinião e transformou a crônica num gênero literário cultuado em todas as épocas a partir dos primeiros anos do séc. XIX.

 

Maria das Graças Targino traz a público as suas crônicas e exibe o seu talento de escritora em fortes depoimentos que passam pela sua vida pessoal e também pela forma engajada com que se envolve nos acontecimentos do tempo em que vive.

 

São depoimentos fortes, jamais desprovidos de emoção, capazes de nos transmitir tristeza, decepções, alegrias e também a indignação da autora com os fatos que agridem a sua sensibilidade e lhe exigem participação.

 

Mesmo que afirme não ser feminista, Maria das Graças Targino participa da discussão sobre a condição da mulher nesta época de tantas mudanças que afetaram a vida, os direitos e todas as circunstâncias das mulheres em todo o mundo. A geração da autora é aquela que viveu, testemunhou e sofreu todas as transformações ocorridas na segunda metade do século XX e no princípio deste século em que estamos vivendo. O mundo nunca havia mudado tanto, em tão pouco tempo, quanto agora.

 

O livro se divide em três partes e a primeira é a mais intimista, pois nela a autora apresenta-se e fala de si mesma, da sua forma de ver o que se passa em sua volta e da aventura de viver. Na segunda parte, escreve sobre livros e filmes que marcaram sua sensibilidade e na última conduz o leitor em extraordinária viagem mundo afora. De suas inúmeras visitas a culturas e civilizações diversas, traz suas observações e reflexões sobre as pessoas que estão distantes, mas tão próximas de nós, comungando conosco as perplexidades diante da vida.

 

Acostumada ao método acadêmico, Maria das Graças Targino organizou seu livro expandindo-lhe os temas; tomando como ponto de partida seu universo pessoal e íntimo para, em crescendo, ultrapassar as fronteiras do seu país e chegar a lugares distantes.

Em todos os textos, no entanto, existe uma única e verdadeira mensagem, que ultrapassa a fronteira do Eu e se junta a toda a Humanidade em seu destino passageiro.

 

Esta é a viagem.

 

 

Prefácio por

Celso Japiassu

Escritor, poeta e publicitário, www.umacoisaeoutra.com.br



Escrito por Alisson Dias Gomes às 10h47
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ALEMANHA

 

O nazismo tem sido uma constante no meu ano. Estou terminando de ler mais uma obra que o traz como pano de fundo (La ladrona de livros). Outra que li (El niño del pijama de rayas) também abordava essa questão. E nessa semana fui ao cine ver Los Falsificadores, que conta a história de um judeu em específico, Sorowitsch (Karl Markovics), o rei dos falsificadores de moedas, capturado e obrigado a trabalhar para os nazistas para manter financeiramente a guerra. É! Já tinha muita vontade de ir à Alemanha, agora, mais que nunca... E quando for, no roteiro, alguma coisa (ou muita) daquela triste época. Tudo depois virará texto para o Acessepiauí. Acredito que essa aventura será lá para outubro, em boa companhia. Daqui para lá, continuaremos lendo e vendo para descobrir algo mais.

Escrito por Alisson Dias Gomes às 13h16
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Salamanca vista pelos olhos da noite

 

O sol tem se posto mais tarde, por volta das nove da noite. O dia está longo. Realmente bem mais longo do que muitos desejam. O rigoroso frio começa a ir embora, no entanto, ainda não é possível diminuir casacos e cachecóis A primavera começar a dar seus primeiros ares, as árvores começam a mudar, as chuvas passam a ser constantes e com elas o perambular de guarda-chuvas pela cidade. Agora, temos cinco horas de diferença com o Brasil, o que faz com que qualquer contato com a terrinha seja mais limitado, pois a diferença é considerável e nem sempre o parente, amigo ou companheiro pode falar na hora que se telefona ou se conecta a internet. 

Tudo está mudando, mas algo permanece do mesmo jeito, a beleza de Salamanca, seja com dias mais largos, seja com noites mais curtas. Hoje, especialmente, falemos da noite, que suprime o imponente sol e expõe a exuberância da lua. Ainda que não sejamos noctívagos, é impossível passar despercebido o charme desta pequena cidade espanhola diante dos potentes canhões de luzes artificiais, que valorizam desde muito longe, o que tem de melhor.

Todos os monumentos e pontos turísticos são evidenciados, como a Praça Maior, as Catedrais, as Pontes, o Palácio de Anaya, o Palácio de Monterrey, o Palácio de La Salina, o Convento das Dueñas, a Torre do Clavero, entre outros. Listar vantagens de um city tour noturno é tarefa fácil. Entre elas, menos barulho, já que praticamente não há gente e com elas seus típicos e diversos barulhos; menos carros, o que permite relaxar em relação ao trânsito; menos cachorros, o que evita pisar ou tropeçar nos caninos e em suas produções (fezes); menos assédio de vendedores e comerciantes, o que permite deter-se mais tempo diante das vitrines de lojas que chamam nossa atenção e, sobre tudo, menos turistas, o que possibilita mais tempo diante dos monumentos e, com isto, maior diversidade de fotos, em quantidade e estilo.

Além disto, à noite nos brinda por “expor” jovens arrumados, munidos com sua empolgação juvenil, cruzando ruas em direção a bares e discotecas, em busca de companhias para uma noite ou para toda a vida, sem contar naqueles que saem com a intenção apenas de olvidar horas de trabalho e estudo, relaxando nos prazeres que a noite proporciona.

É incrível, pois esta mesma sensação vivida em Salamanca se tem em Paris, quando a capital francesa se revela “outra” após o entardecer. Às vezes, enigmática, em outros instantes, cúmplice de sentimentos jamais repetidos... Para os amantes da noite, Salamanca é um paraíso de ruas estreitas, seculares e intimistas; becos tranqüilos e reveladores; praças conservadas, bares agitados e companhias solitárias, dispostas a conversas ou apenas olhares de saudação.

Ao mesmo tempo em que há gente por toda parte, não há ninguém em parte alguma. Todos, ou melhor, quase todos, estão de passagem. Alguns, por dias; outros, por meses e existem aqueles que por anos. Mas, o certo é que estão de passagem, renovando sempre o ar e a luz de Salamanca, como quando aquela velha lâmpada deixa de funcionar e somos obrigados a substituí-la por outra, potente e renovada. Assim é Salamanca vista pelos olhos da noite, potente e renovada.

 

 



Escrito por Alisson Dias Gomes às 13h00
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